Ana acordou com um som seco vindo de algum ponto da casa.
Não foi alto.
Foi errado.
Ela demorou alguns segundos para entender que não fazia parte do sonho. O silêncio voltou logo depois, espesso demais, como se algo tivesse sido interrompido no meio.
Sentou-se na cama, alerta.
Outro ruído. Vidro contra piso.
Ana levantou devagar. Caminhou pelo quarto sem acender a luz, guiada pelo hábito de não fazer barulho naquela casa. Abriu a porta com cuidado e seguiu pelo corredor principal.
A luz da cozinha estava acesa.
Ela parou no batente.
Natan estava ali, apoiado na bancada com uma das mãos, o corpo levemente inclinado para frente, como se o equilíbrio fosse uma negociação. No chão, um copo quebrado espalhava vidro e líquido. Havia sangue.
Pouco, mas inconfundível.
— Senhor Roman… — ela chamou, sem avançar.
Ele virou o rosto devagar demais.
— O que você está fazendo aqui? — a voz saiu firme, mas carregada de algo mais lento por baixo.
— Eu ouvi um barulho.
— N