Victor
Eu não pretendia ficar.
O jantar tinha sido um erro.
A mulher ao meu lado falava demais, ria alto demais, tocava em mim como se isso fosse intimidade.
Não era.
Quando a deixei em casa, não subi.
Peguei o carro outra vez.
Sem destino definido — só a necessidade de silêncio.
Foi assim que os vi.
O restaurante já estava fechando.
As luzes da rua refletiam no vidro, criando sombras longas no chão.
Emily estava na calçada.
O namorado, à frente dela.
Discutindo.
Não precisei ouvir para entender.
O corpo dela estava tenso.
Braços cruzados, como quem tenta se proteger.
Ele gesticulava demais.
Invadia o espaço dela.
Meu estômago se contraiu.
Parei o carro do outro lado da rua.
Desliguei o motor.
Observei.
Ele falou algo que a fez desviar o rosto.
Algo duro.
Algo que machucou.
Emily respondeu.
A voz dela parecia firme, mas o corpo denunciava o contrário.
Ela deu um passo para trás.
Ele segurou o braço dela.
Foi o suficiente.
Abri a porta do carro antes mesm