Emily
O dia com Mel foi diferente.
Leve. Silenciosamente feliz.
Brincamos, desenhamos, fizemos bagunça na cozinha e rimos de coisas pequenas demais para importarem — e grandes demais para serem esquecidas. Pela primeira vez desde que cheguei à mansão, senti que havia algo parecido com normalidade ali.
Quando Mel adormeceu no sofá, com a cabeça apoiada em meu colo, fiquei alguns minutos sem me mover. Observando o rosto sereno, os cílios longos, a respiração calma. Aquela paz frágil parecia um presente raro demais.
Foi quando senti a presença.
Victor estava parado à porta.
Não disse nada. Não precisou. O silêncio entre nós tinha aprendido a falar sozinho.
— Ela dormiu — murmurei, com cuidado.
Ele assentiu e se aproximou devagar, como se tivesse medo de quebrar o momento. Pegou Mel no colo com uma delicadeza que sempre me surpreendia e a levou para o quarto.
Quando voltou, a sala parecia menor.
— Obrigado — ele disse. — Por hoje. Por ela.
— Eu faço isso porque quero — respond