Fiquei no carro por alguns minutos depois que ela entrou.
O motor desligado.
As mãos apoiadas no volante.
A respiração pesada demais para alguém que dizia ter controle.
Eu deveria ter ido embora.
Deveria ter encerrado aquilo ali, retomado a distância segura entre patrão e funcionária, entre razão e impulso.
Mas não fui.
Observei a mansão em silêncio, as janelas iluminadas em poucos pontos, como olhos que se mantinham abertos na escuridão. Aquela casa sempre foi meu refúgio. Minha fortaleza. Meu território absoluto.
Até Emily Carter atravessar o portão.
O que me perturbava não era o homem com quem ela jantara. Era o fato de que, mesmo longe, ela ainda estava presa a mim. Eu sentira isso no restaurante. No olhar dela. No corpo dela reagindo antes da mente negar.
Ela podia dizer que não era minha.
Podia repetir quantas vezes quisesse.
Mas algo já tinha sido deslocado entre nós.
Quando finalmente saí, levei comigo uma certeza incômoda: o que estava acontecendo não se resolver