Emily
Depois da conversa no escritório, nada voltou ao normal — mas tudo ficou mais frágil.
A mansão parecia maior naquele dia. Mais vazia. Os corredores longos demais, o silêncio atento demais. Eu seguia minha rotina com Mel como se isso fosse possível sem que meu corpo denunciasse o conflito que carregava por dentro.
Brincamos no jardim naquela manhã. Mel corria entre as árvores, rindo alto, enquanto eu observava com um sorriso que não chegava inteiro aos lábios. Havia algo em mim que permanecia tenso, como se eu esperasse que Victor surgisse a qualquer momento — não para interferir, mas simplesmente para existir.
— Você vai embora? — Mel perguntou de repente, parando à minha frente.
O coração falhou uma batida.
— Por que pergunta isso?
Ela deu de ombros, mas os olhos estavam atentos demais.
— As pessoas sempre vão quando ficam estranhas aqui.
Ajoelhei diante dela.
— Eu não quero ir embora, Mel.
— Mas meu pai faz as pessoas irem — disse, simples, sem acusação. — Ele fica