Raia não saiu do quarto por três dias.
Não porque a porta estivesse trancada ela mantinha destravada agora, ironicamente. Mas porque não havia lugar para ir.
Não havia conversa a ter.
Não havia conserto possível.
Ela sentava na janela, observando as montanhas que se tornaram sua prisão, e pensava.
Sobre o tapa.
Sobre o olhar de traição no rosto de Cinder.
Sobre Kael transformando, perdendo controle, queimando suas únicas ervas de escape.
Sobre como tudo que tocava aqui eventualmente quebrava.
Inclusive você, uma voz sussurrou. Especialmente você.
Alguém bateu na porta suave, hesitante.
Não era Kael. Ela conhecia a batida dele. Firme. Exigente. Mesmo quando tentava ser gentil.
- Mama?
Cinder.
Raia fechou os olhos, dor atravessando seu peito.
- Estou aqui
ela disse, voz rouca de desuso.
-Posso... posso entrar?
Ela deveria dizer não. Deveria mantê-lo afastado até conseguir controlar as emoções, até poder olhar para ele sem ver a marca vermelha que deixara.
Mas era Cinder.
Seu filho.