A manhã chegou pesada.
Cinder acordou no ninho do tesouro profundo, Aureus ainda dormindo ao seu lado, e por um momento não se lembrou.
Então sua bochecha latejou.
E tudo voltou.
O livro. A descoberta. A esperança.
E o tapa.
Mama batera nele.
Mama que sempre fora gentil, sempre paciente batera nele tão forte que seu rosto ainda ardia.
E depois fechara a porta.
Trancara novamente.
Como se ele...
Como se ele fosse...
Monstro. Você é monstro. Por isso ela te bateu.
- Não Não sou. Não sou.
Mas a dúvida já estava plantada.
Crescendo como erva daninha venenosa em jardim antes inocente.
Aureus se mexeu, chiando sonolentamente.
"Cinder? Por que triste?"
-Não estou triste.
"Está. Sinto."
Claro que sentia. Irmãos sempre sentiam.
-Mama está com raiva de mim.
"Por quê?"
-Porque pedi algo errado. Algo que... que assustou ela.
"Podemos pedir desculpas?"
- Não sei se ela vai aceitar.
Mas tinham que tentar.
Cinder se levantou, determinação substituindo medo.
- Vamos. Precisamos falar com mama.
Mas