ADRIANO
A casa ficou em silêncio como só fica quando a noite já avançou o suficiente para expulsar qualquer ruído humano. Não havia passos no corredor, nem vozes abafadas na cozinha, nem o ranger das portas sendo abertas e fechadas. Os empregados já haviam ido embora para suas casas. Só Benedita ficou dormindo no antigo quarto de Marja.
Foi então que me sentei no sofá da sala, no escuro, sem acender nenhuma luz, como se a claridade pudesse denunciar o que eu pretendia fazer comigo mesmo.
A gar