O terceiro dia antes do casamento amanheceu com um sol pálido que mal conseguia aquecer a atmosfera gélida da mansão. Na mesa de jantar, o cenário era deprimente. Carlos parecia ter envelhecido dez anos em quarenta e oito horas, com olheiras profundas e as mãos trêmulas segurando a xícara de café. Rodrigo, ao seu lado, encarava o celular como se o aparelho fosse explodir a qualquer segundo — o que, tecnicamente, não estava longe da realidade.Júlia, por outro lado, parecia completamente insensível ao pânico ao seu redor. Enquanto alisava um colar de brilhantes que Rodrigo lhe dera dias antes com dinheiro que agora pertencia ao limbo digital, ela olhou para mim com um sorriso de escárnio.— Sabe, Valentina, eu estava pensando... — começou Júlia, com aquela voz arrastada e cheia de veneno. — Já que o papai e o Rodrigo estão tão estressados com essa história de bloqueios bancários, talvez devêssemos simplificar a sua entrada na igreja. Afinal, para que gastar com um
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