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TRAÍDA NO ALTAR AMADA PELO CEO
TRAÍDA NO ALTAR AMADA PELO CEO
Por: Slompo
Capítulo 1: O Preço do Trono e a Máscara de Gelo

​O vestido de noiva de renda francesa pesava nos meus ombros como uma armadura de chumbo, mas a dor real não vinha do tecido. Vinha de dentro, rasgando o meu peito em silêncio absoluto.

​Na minha mão, o celular iluminava a escuridão do corredor silencioso da mansão dos meus pais adotivos. Na tela, o vídeo da câmera de segurança que eu mesma havia hackeado mostrava a minha própria irmã, Júlia, nos braços do meu noivo, Rodrigo.

​— Ela é tão idiota, Rodrigo... — a voz de Júlia ecoava pelos fones de ouvido, gotejando veneno e deboche puro. — Acha mesmo que vai casar com você. Meus pais só toleram a Valentina porque ela serve de fachada boazinha e empregada barata, mas o herdeiro legítimo da nossa família e os negócios vão ser de quem realmente importa.

​— E quando o casamento passar, a gente dá um jeito de tirar o pouco que resta no nome dela e jogá-la na rua — respondeu a voz fria de Rodrigo, o homem com quem eu dividiria o altar em menos de setenta e duas horas.

​O som da minha própria respiração parecia distante. A traição ardia como ácido, queimando cada ilusão que eu guardara por vinte e seis anos. Meus pais, a quem dediquei cada gota de esforço para orgulhar, sabiam de tudo. Eles riam no andar de baixo, brindando ao "bom negócio" que aquele casamento representava para os desvios de dinheiro da construtora da família.

​Para eles, eu sempre fui a boneca de porcelana quebrada: a filha adotada que toleravam por caridade, a quem davam migalhas de afeto enquanto bajulavam a verdadeira filha biológica, Júlia. O que eles ignoravam completamente é que eu não era quem diziam ser. O teste de DNA que decodifiquei na semana passada provou o inegável: eu havia sido sequestrada aos quatro anos de idade da poderosa e rica família Vianna. Eu era a herdeira legítima de um império, mantida como refém e laranja sob o mesmo teto.

​Uma lágrima solitária escorreu pelo meu rosto. Mas, no segundo seguinte, meu reflexo no espelho do corredor mudou.

​O tremor nos meus dedos cessou instantaneamente. A expressão de dor pura desapareceu, substituída por uma máscara de gelo intransponível. Meus olhos brilharam com uma inteligência cortante, quase desumana. Com um movimento calmo, limpei a lágrima. O cérebro com QI de 160 começou a processar linhas de código da Nexis AI, a empresa de inteligência artificial multibilionária que eu fundara anonimamente aos dezenove anos, operando nos servidores mais seguros do mundo.

​— Vocês cavaram a própria cova — sussurrei para o vazio do corredor, um sorriso gélido nos lábios.

​Enquanto isso, a quilômetros dali, em uma cobertura blindada com vista para o horizonte financeiro da metrópole, outro prisioneiro do destino enfrentava suas próprias correntes.

​Arthur Vance, o bilionário implacável dono do conglomerado Vance Tech, encarava a avó com o maxilar travado. A matriarca da família Vance, uma mulher de postura aristocrática e olhar de águia, tossia levemente em sua poltrona de veludo, apoiada em uma bengala de prata, mas a fragilidade física era apenas uma fachada para a mente afiada que controlava gerações.

​— Você vai se casar, Arthur. É uma ordem irrevogável — disse a matriarca, sua voz ecoando com o peso de uma sentença de morte. Ela levou a mão ao peito, simulando uma pontada de dor que fez os médicos particulares recuarem alarmados. — Meu coração não vai aguentar ver a dinastia Vance sem um herdeiro legítimo consolidado por uma aliança de sangue. Se você recusar... bem, digamos que os relatórios sobre o meu estado terminal serão publicados, e as ações da empresa desabarão antes que você possa piscar.

​Arthur fechou os olhos por um segundo, sentindo o nó da chantagem apertar seu pescoço. Ele odiava ser manipulado, mas a saúde da avó — por mais manipuladora que ela fosse — era a única fraqueza que ele não podia arriscar.

​O que a matriarca — e principalmente o ganancioso tio de Arthur, Victor Vance — não sabiam, no entanto, era que Arthur estava um passo à frente de todos. Victor passava as noites tramando um golpe corporativo para usurpar a presidência da empresa, reunindo aliados corruptos e assinando documentos falsos. O que o tio tolo ignorava é que cada passo falso que dava era monitorado de perto por Arthur, que permitia a encenação apenas para acumular provas suficientes e destruir Victor de uma só vez na assembleia de acionistas.

​Ao lado de Arthur, seu irmão mais novo, Leo — o famoso playboy do bem, conhecido nas colunas sociais por suas festas extravagantes, mas dono de uma lealdade inabalável ao irmão —, balançava a cabeça em sinal de reprovação, tomando um gole de uísque.

​— Velha guarda implacável, hein, mano? — murmurou Leo com um sorriso irônico e cúmplice. — Quer que eu investigue alguma noiva de fachada para você escapar dessa?

​— Não precisa, Leo — respondeu Arthur, com a voz grave, enquanto olhava pela janela para as luzes da cidade. Um pressentimento estranho, magnético e inevitável apertou seu peito. — Deixe o destino seguir seu curso. Sinto que o tabuleiro está prestes a mudar.

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