Carla estava caída entre os estilhaços, o corpo encolhido e coberto de sangue. O motorista estava imóvel no banco da frente, mas o foco de Otávio foi totalmente na filha. Quando ele a puxou de leve pelos ombros, um grito de puro desespero travou em sua garganta. Os estilhaços dos vidros blindados, que explodiram com o impacto dos fuzis, haviam agido como centenas de pequenas lâminas. O rosto de Carla, outrora motivo de tanto orgulho e vaidade para a família, estava completamente retalhado, deformado e sangrando profusamente. Ela soltou um gemido fraco, quase inaudível, mergulhada na agonia da dor.— Não... Meu Deus, a minha filha! O rosto dela! — Otávio berrou, as lágrimas limpando o rastro de fuligem em suas bochechas.Clarice chegou logo em seguida, empurrando os paramédicos que começavam a isolar a área. Ao olhar para dentro do veículo e ver o estado da filha favorita, o mundo da madrasta desmoronou. Ela caiu de joelhos no asfalto, soltando um grito estridente, histérico, que ecoou
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