Mundo ficciónIniciar sesiónLiz prendeu a respiração. Não era o que ela esperava. Não era um vestido de noiva tradicional, cheio de rendas românticas ou babados ingênuos que uma garota indefesa usaria. Era uma obra-prima de alta-costura em tom de branco-ofuscante, feito de um cetim encorpado e pesado que reluzia de forma imponente. O corte era moderno e geométrico: um decote reto e estruturado, mangas longas e justas que terminavam em punhos detalhados, e uma fenda profunda na saia que revelaria as pernas dela a cada passo. Era minimalista, afiado e terrivelmente poderoso.
Não era o vestido de uma vítima sendo forçada a casar. Era a armadura de uma mulher prestes a tomar um império. — Vista — Pablo disse, a voz caindo para um tom mais grave. — Quero ver se a minha intuição estava certa. Liz hesitou por um segundo, mas a visão daquele tecido a magnetizou. Ela pegou o cabide e caminhou até o closet acoplado ao quarto. Quando o cetim tocou sua pele, um arrepio correu por seu corpo. O caimento era perfeito, moldando-se às suas curvas com uma precisão cirúrgica. Ao fechar o zíper invisível nas costas, Liz olhou para si mesma no espelho menor do closet e sentiu uma onda de poder que nunca havia experimentado antes. Ela abriu a porta do closet e voltou para o quarto principal. Pablo estava encostado na mesa de mogno, com as mãos apoiadas no cabo de prata de sua bengala. Quando Liz apareceu, a postura dele mudou instantaneamente. Ele se endireitou. Seus olhos cinzentos dilataram-se e, por um breve momento, a máscara de frieza do chefe da máfia rachou, revelando uma intensidade avassaladora. Ele a encarou de cima a baixo, demorando-se na fenda que exibia sua perna e no contraste do vestido branco com o longo cabelo castanho que caía em ondas perfeitas até a cintura. O silêncio no quarto tornou-se sufocante, carregado de uma eletricidade nova e desconhecida para ambos. — Então? — Liz quebrou o silêncio, sua voz um pouco mais alta do que o normal para disfarçar o nervosismo. — Como ficou? Pablo caminhou até ela. O som de sua bengala parecia ditar o ritmo dos batimentos cardíacos de Liz. Ele parou a poucos centímetros de distância, alto e imponente, exalando um perfume de colônia cara, fumo e couro. — Ficou exatamente como eu previ — ele sussurrou, erguendo a mão livre para tocar o tecido no ombro dela, sem encostar na pele, mas mantendo a proximidade o suficiente para que ela sentisse seu calor. — Amanhã, o seu pai e a sua madrasta vão olhar para você e perceber que o plano deles de te humilhar falhou antes mesmo de começar. Eles acharam que estavam te vendendo para se livrarem de você. Mas eles acabaram de te entregar um lugar que eles jamais conseguirão alcançar. Liz olhou bem no fundo dos olhos cinzentos dele. Ela sabia que Pablo carregava uma aura sombria, um rancor que ela julgava ser apenas pela obrigação de ter assumido os negócios do falecido pai, mas não imaginava a verdadeira profundidade daquela escuridão — e muito menos o sangue que havia sido derramado recentemente na vida dele. — O que eles vão pensar quando nos virem juntos amanhã? — Liz perguntou, o pensamento fixo na vingança contra a própria família. — O seu pai queria essa união... mas o que o resto do seu mundo vai dizer sobre mim? O olhar de Pablo obscureceu por um milésimo de segundo, uma sombra fria cruzando suas feições ao lembrar dos verdadeiros motivos que o forçaram a aceitar aquele trono de espinhos, segredos que Liz ainda estava longe de descobrir. — Eles vão pensar o que eu quiser que pensem — Pablo respondeu, aproximando o rosto do dela, os lábios quase roçando em seu ouvido. — Vão ver que o novo chefe tem uma mulher forte ao seu lado. Amanhã à noite, o nosso casamento de fachada será o início de uma nova era. Você está pronta, Liz? Liz sentiu um nó na garganta, mas a imagem de sua avó de coração, protegida e segura no interior graças aos homens de Pablo, veio à sua mente. O medo evaporou, dando lugar a uma sede de justiça que ela guardava há anos. — Eu estou pronta — ela respondeu firmemente, sustentando o olhar dele. — Faça-os engolir o próprio orgulho.






