A sala de estar da casa da minha tia estava inundada por risadas, música alta e o tilintar de taças de cristal.— Um brinde à nossa mais nova graduada! — gritou um dos meus amigos da faculdade, erguendo o copo de cerveja no ar.O coro de vozes repetiu o brinde, e eu abri o meu melhor sorriso, erguendo a minha própria taça. O diploma emoldurado descansava sobre a lareira, a prova irrefutável de que os últimos quatro anos de exílio não haviam sido em vão. Eu havia construído uma vida nova. Uma vida perfeitamente normal, humana e segura, bem longe do frio cortante da Matilha Vento do Norte e do fantasma do homem que quebrou a minha alma.Mas, enquanto eu sorria e agradecia os abraços afetuosos, um eco oco reverberava dentro de mim.Faltava algo.A princípio, tentei ignorar o desconforto, culpando o cansaço das provas finais. Porém, à medida que a noite avançava, o cheiro doce e enjoativo das colônias artificiais dos meus amigos começou a revirar o meu estômago. O volume das conversa
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