Às três da manhã, tomei a pior decisão da minha vida, que era tecnicamente a segunda pior, porque a primeira havia sido sair para o jardim da festa sem avisar ninguém.Fiquei deitada na cama por horas, olhando para o teto de madeira que rangia com o vento, calculando. Donovan havia dormido, e a porta do quarto dele estava fechada com silêncio lá dentro. A tranca da minha porta era simples, de girar para abrir, o que ele havia calculado errado ao deixar a chave do lado de fora, mas não havia calculado errado no resto: sem celular, sem chaves de carro, sem dinheiro, sem nada.Mas, tinha uma estrada lá fora. E onde há estrada, há carros. E onde há carros, há pessoas. E pessoas eram o que eu precisava. Me levantei devagar, calquei as sandálias velhas de borracha que havia achado num canto do quarto, dois números maiores que o meu pé, e fui pela sala no escuro prestando atenção em cada tábua do assoalho.Do lado de fora, o frio seco da madrugada do interior chegou sem aviso, e o céu estava
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