Eu tô sentada na cama do quarto simples que o Trovoada me colocou, costas encostadas na parede, joelhos dobrados contra o peito. O vestido vermelho curto tá amassado, o salto alto jogado no canto, pés descalços no chão frio. A minha cabeça dói. Dói pra caralho. Eu não sei que horas são, não tenho celular, não tenho relógio, só a luz amarela fraca do abajur que deixa tudo meio amarelo, meio triste. O silêncio é pesado. Lá embaixo, ouço vozes abafadas, risada baixa. Eu encosto a testa na parede, fecho os olhos, tento respirar devagar. Inspiro contando até quatro, expiro contando até seis. Não adianta. A porta abre devagar. Trovoada entra. Sem camisa, bermuda preta, tatuagens subindo pelo peito magro e definido. Ele não fala nada. Só me olha. Olhar calmo, quase respeitoso. Nada de ameaça. Ele segura um copo de uísque na mão, gelo tilintando, mas mal bebe. Só fica olhando pro copo, como se estivesse pensando em outra coisa. Ele senta na cadeira do canto, distância segura. Apoia os co
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