Eu tô do lado de fora do quarto, ouvindo o silêncio lá de dentro. Sorrio de canto. Tá feito. A menina tá trancada, quietinha, processando tudo. Eu sei bem como é, o choque bate forte no começo, depois vem a aceitação. Sempre vem.Eu desço as escadas devagar, salto batendo no mármore, sentindo o cheiro de novo rico no ar — aquele cheiro de dinheiro fresco, de piscina clorada, de couro caro. Essa casa é minha conquista. Minha. Paguei caro por ela, mas valeu cada centavo suado… ou melhor, cada centavo que eu não suei.Mas saber que tenho mais duzentos mil na conta e em breve um milhão, me deixa tão feliz, tão completa.Vou pra sala, sirvo uma dose de uísque no copo de cristal que eu amo — pesado, frio, dourado na borda. Sento no sofá de couro branco, cruzo as pernas, admiro meu quadro na parede. Eu ali, seminua, coberta de joias, olhando direto pra quem entrar.Poderosa. Dona. Eu estava gostosa pra caralho naquela foto, e ainda estou. O tempo passou, mas o corpo segura firme.César
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