O rosto de Isadora mudou. E, pela primeira vez, fui eu quem sorriu. Não foi um sorriso bonito. Nem elegante. Muito menos digno. Foi pequeno, torto, cheio de raiva acumulada e cansaço, mas foi meu. Depois de tantas horas sendo puxada de um lado para outro por gente rica, contrato, hospital, ex-noiva e medo, ver Isadora perder a pose me deu uma satisfação quase vergonhosa. — Você acha mesmo que venceu alguma coisa? — ela perguntou. — Não. Mas acho que você ficou incomodada. Já ajuda. Isadora deu um passo na minha direção. O segurança atrás dela se mexeu, mas Rafael foi mais rápido. Não porque viu. Ele sentiu meu corpo mudar, minha lateral tensionar sob a mão dele, e a bengala tocou o piso antes que Isadora chegasse perto demais. — Não se aproxime dela — ele disse. Ela riu, mas a risada saiu baixa, feia. — Agora você fala como marido de verdade? Rafael não respondeu na hora. A mão dele continuava na minha lateral, quente, firme, e eu odiava a parte de mim que queria continuar ali
Leer más