César estava parado no corredor, sorrindo, com o crachá da Clínica Santa Helena na mão.Por um segundo, ninguém falou nada. Eu fiquei olhando para aquele pedaço de plástico como se ele fosse uma arma. E talvez fosse. Minha mãe estava lá. Minha mãe, deitada numa cama, esperando uma cirurgia que tinha acabado de ser suspensa por algum joguinho de gente rica entediada.— Que porra é essa? — perguntei.César olhou para mim como se eu tivesse feito graça.— Direta. Gostei.Rafael deu um passo à frente. Pequeno, mas o bastante para o corpo dele ficar entre mim e o irmão. A bengala tocou o chão com um som seco.— Responde.— Calma, Rafael. Você continua dramático.— César.O nome saiu baixo, mas mudou o ar do corredor. Até Augusto pareceu prender a respiração. César ergueu o crachá.— Isso? Encontrei no carro. Ia entregar para Augusto. Vocês já estavam fazendo esse teatro todo.— O bloqueio veio do seu acesso — Augusto disse.César virou para ele, ainda sorrindo.— Meu acesso ou um acesso vi
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