— Quando segurou minha mão e não soltou.
A frase ficou entre nós como uma coisa viva.
Eu devia ter soltado na mesma hora. Devia ter rido, xingado, dito que ele estava confundindo desespero com pedido. Mas minha mão continuava na dele, e isso me irritou quase tanto quanto a vontade de continuar assim.
— Foi reflexo — falei.
— Foi?
— Foi. Reflexo de pânico. Tipo agarrar corrimão quando o ônibus freia.
A boca dele quase sorriu.
— Então agora sou um corrimão?
— Um corrimão arrogante, caro e