Quando voltamos para a mansão, já era tarde demais para qualquer pessoa decente estar acordada. Ou seja, perfeito para aquela casa, que parecia funcionar melhor no escuro. Minha mãe tinha entrado em recuperação, a cirurgia tinha corrido bem, e mesmo assim eu não conseguia sentir alívio completo. Era como se meu corpo não acreditasse ainda. Como se, a qualquer momento, alguém fosse aparecer dizendo que tinha dado errado, que era engano, que felicidade pobre sempre vinha com cobrança depois. Rafael caminhava ao meu lado em silêncio. Ficou comigo na clínica o tempo inteiro. Não mandou Augusto me vigiar, não me largou num canto com uma água mineral cara, não fingiu preocupação só na frente dos outros. Ficou. Sentado ao meu lado, mão perto da minha, sem forçar nada. E isso estava me irritando muito. Porque era mais fácil odiar Rafael quando ele era só arrogante. O problema começava quando ele era útil. Pior: quando era gentil sem parecer que estava tentando ganhar ponto. Entramos na suí
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