Li aquela mensagem dezenas de vezes, como se, em alguma leitura, ela fosse revelar um detalhe escondido, uma pista, uma assinatura invisível, qualquer merda útil. Mas era sempre a mesma frase me encarando pela tela do celular: “VOCÊ VAI SER A PRÓXIMA SE NÃO FIZER O QUE EU MANDAR.”E logo depois: “E NÃO CONTE AO MAURO.” Foi essa segunda parte que mais me deixou gelada. Quem quer que estivesse fazendo aquilo sabia. Sabia que Mauro era a primeira pessoa para quem eu pensaria em ligar. Sabia que, apesar de tudo, apesar das brigas, das mentiras, de Jeremias, de Alessandra e daquele caos inteiro, eu confiava nele mais do que deveria.Corri pela casa conferindo tudo. Porta, janela, fechadura, cortina. Tranquei até o que já estava trancado. Depois entrei no quarto, virei a chave e sentei na cama com o celular na mão, sem saber se chorava, vomitava ou gritava. Era pavor, raiva, nojo, tristeza, tudo misturado numa coisa só, uma coisa grossa, pesada, que não descia.Pensei em ligar para minha mãe
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