Por alguns segundos, ninguém se mexeu. A frase do policial ficou no centro da sala como uma coisa viva: o acesso foi feito com o crachá de Mauro. Eu olhei para ele, esperando uma explosão imediata, mas Mauro não explodiu. Não de primeira. Ele ficou parado, olhando para a folha sobre a mesa, como se o papel tivesse cometido uma ofensa pessoal.
— Isso é impossível — ele repetiu, mais baixo.
Jeremias fez uma expressão quase triste, daquelas que pessoas cruéis usam quando querem parecer superiores