A dor veio primeiro.Um pulsar quente, latejante, na lateral da cabeça. Como se alguém tivesse martelado os meus pensamentos para fora do crânio. Eu tentei abrir os olhos, mas a luz — mesmo aquela luz fraca, amarelada, de uma lâmpada velha pendurada no teto — doía como navalha na retina.Fechei os olhos de novo. Respirei fundo. O cheiro era estranho. Alga salgada. Umidade. Mofo. E por cima de tudo, aquele perfume doce, enjoativo, caro. O perfume francês. O mesmo que eu recusei usar. O mesmo que pertencia a Tessa.O coração disparou no meu peito.Eu tentei me mexer. Os braços não obedeciam. As pernas também não. Alguma coisa apertava meus pulsos, meus tornozelos. Corda? Couro? Metal? Não dava para ver. Não dava para saber. Abri os olhos de novo, devagar, deixando a luz entrar aos poucos.Uma maca. Eu estava deitada em uma maca, daquelas de hospital, mas velha, enferrujada, com o couro rachado e manchado. As paredes ao redor eram de pedra, escuras, úmidas. Uma única janela no alto, grad
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