POV RAULPassei no quarto da minha avó mais vezes do que considerei necessário naquela manhã.Na primeira, ela ainda dormia, a respiração tranquila, o rosto sereno de quem parecia não carregar o peso das próprias manipulações. Julia estava ao lado da cama, ajustando os lençóis com cuidado, e garantiu que ela havia descansado bem. Assenti, mas não respondi. Na segunda vez, Otília já estava lá, conferindo a medicação e repetindo exatamente a mesma coisa: a noite tinha sido tranquila, a pressão estava controlada, não havia motivo para preocupação.Mesmo assim, voltei uma terceira vez.Ela continuava dormindo.E, ainda assim, algo em mim não aceitava aquilo como suficiente.Fiquei alguns segundos parado na porta, observando-a em silêncio. Pequena demais naquela cama grande, frágil de uma forma que não combinava com a mulher que, poucas horas antes, discutia tempero como se estivesse comandando um exército.Levei a mão ao nariz, pressionando levemente.Controle.Era só isso.Saí do quarto
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