CAPÍTULO 5 — BENEu sempre acreditei que sabia reconhecer limites, que conseguia estabelecer uma linha clara entre o que me envolvia e o que não me dizia respeito, principalmente dentro do hospital, onde decisões precisavam ser rápidas, objetivas e livres de qualquer interferência emocional que pudesse comprometer o julgamento, mas naquela noite, enquanto dirigia de volta para casa com as luzes da cidade refletindo no para-brisa e o cansaço acumulado pesando nos meus ombros, percebi que essa linha, que durante anos pareceu sólida e inquestionável, estava começando a se desfazer de uma maneira silenciosa e perigosa.O plantão havia terminado há pouco, mas a rotina intensa da emergência ainda pulsava na minha cabeça, misturando imagens, vozes e decisões que precisaram ser tomadas sem hesitação, porém, entre tudo aquilo, havia algo que insistia em se destacar, algo que não tinha relação direta com nenhum paciente crítico, nenhum procedimento urgente ou qualquer situação que exigisse minh
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