Maya não dormiu, não de verdade. O corpo até cedeu em alguns momentos, quedas rápidas, rasas, que não duravam o suficiente para serem descanso. Mas a mente não foi junto. Ficou à deriva, presa num estado suspenso onde tudo parecia acontecer ao mesmo tempo. As mensagens, as imagens, o nome dela e, agora, o nome dele.Quando o interfone tocou, cedo demais para alguém que mal fechou os olhos, o som atravessou o apartamento como um rasgo seco e invasivo.Maya não se moveu de imediato, ficou parada no meio da sala, olhando na direção do aparelho, como se pudesse desfazer aquilo pela simples recusa de reagir. Tocou de novo, mais insistente. Ela passou a mão pelo rosto, sentindo a pele sensível, quase febril. Caminhou até o interfone devagar, como quem atravessa um espaço instável, cada passo exigindo mais atenção do que deveria. Pensar ainda era difícil, organizar qualquer coisa, impossível.— Oi?— Maya? Sou eu.A voz conhecida veio rápida. Uma colega do restaurante. Maya destravou a porta
Leer más