O movimento dentro do restaurante cresceu rápido demais. Não foi algo que aconteceu de uma vez, como um rompimento claro. Foi um acúmulo. Um detalhe fora do lugar, depois outro, até que tudo já estava diferente e ninguém soube apontar exatamente quando deixou de ser normal. Em poucos minutos, o espaço que costumava ser organizado, previsível, quase íntimo, perdeu a forma. As mesas ainda estavam ali, os pratos, o cheiro familiar de comida quente. Mas nada parecia pertencer ao mesmo lugar.Gente entrando sem realmente entrar, parando perto da porta, fingindo olhar o cardápio, mas sem ler. Ocupando espaço. Mais do que deveria, mais do que cabia.Os sons também mudaram. Antes havia o barulho controlado de talheres, conversas baixas, pedidos sendo feitos. Agora eram vozes contidas demais para serem naturais, e ainda assim altas o suficiente para atravessar o ambiente. Sussurros que não queriam ser discretos, olhares que não se escondiam, celulares erguidos, alguns mais disfarçados, outros
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