RICARDO: Segui o carro dela a uma distância segura, mas meus olhos não saíam daquela lataria. Minha mente era um turbilhão. Quem era aquele cara? De onde ele tinha surgido com Paloma, no carro dela, com aquela postura de quem guardava um segredo que eu não conhecia? A forma como ele me olhou, sem medo, quase com uma piedade analítica me deu náuseas.Quando chegamos em frente à casa, o silêncio era cortante. Entramos e o peso do ambiente disfuncional que eu mesmo ajudei a criar parecia desabar sobre meus ombros. — Filho, vem aqui, a gente precisa conversar...Ela disse, trazendo ele ao sofá. Sentamos os três na sala. Henry, entre nós, parecia subitamente muito menor do que sua idade.— O que está acontecendo amor, porque você se trancou naquele banheiro? Ele não respondeu, de cabeça baixa, silenciado. — Henry... A gente já não conversou, que você pode falar tudo pra gente. Eu disse e ele olhou pra mim, e o olhar do meu filho, bateu em mim como um tiro de desilusão. Eu já não
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