O salto alto dela ecoava no mármore enquanto atravessava o corredor. Cada passo parecia alto demais. Vazio demais. Estranho demais. Aquela casa nunca era silenciosa assim. Sempre tinha algum som: música baixa, o barulho da cidade entrando pelas janelas, ou a voz dele ao telefone, resolvendo coisas enormes como se fosse simples. Mas hoje... Nenhum barulho.. Ela apertou a bolsa contra o corpo, sentindo um aperto estranho no peito. Um pressentimento ruim. Daqueles que fazem o coração acelerar sem motivo e o estômago se revirar. — Amor? — chamou, a voz saindo mais baixa do que queria. Silêncio. Nenhuma resposta. Ela deu mais alguns passos. E então ouviu. Um som. Baixo. Abafado. Ritmado. Um gemido. O corpo dela travou na hora. Não. Não, não, não… Aquilo não podia estar acontecendo. Não ali. Não com ele. O coração disparou, descontrolado, como se quisesse sair pela boca. As mãos começaram a suar, e, mesmo sem querer, ela continuou andando.
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