Perto Demais Para Ser Seguro

O hospital estava silencioso demais.

Não aquele silêncio tranquilo… mas o tipo que incomoda, que faz a cabeça da gente ficar mais barulhenta ainda.

Helena sentia isso.

Talvez não fosse o lugar.

Talvez fosse tudo o que estava acontecendo rápido demais.

Ela estava parada ao lado da cama.

A bolsa já pronta.

Os papéis assinados.

Era só sair.

Simples assim.

Mas não era.

Os pés dela não se moviam.

Parecia que alguma coisa segurava ela ali… mesmo que ela soubesse que precisava ir.

Devagar, quase sem perceber, a mão dela foi até o ventre.

Ainda era estranho.

Irreal.

Como se aquilo não fosse, de fato, a vida dela.

— Eu preciso sair daqui… — ela murmurou, mais pra si mesma do que pra qualquer outra pessoa.

Mas não era só do hospital.

Era de tudo.

Do passado que ainda machucava.

De Enzo.

De Isabella.

Das lembranças que insistiam em voltar.

Da dor que nunca parecia ir embora completamente.

Só que agora…

Ela não estava mais sozinha.

E isso mudava tudo.

A porta se abriu.

Devagar.

Sem barulho.

Mas a presença dele não precisava de som pra ser percebida.

Helena sentiu antes mesmo de olhar.

— Já decidiu?

A voz de Dante era calma.

Controlada.

Mas tinha algo ali… algo que mexia com ela de um jeito estranho.

Ela virou devagar.

Os olhos dela encontraram os dele.

E, por um segundo…

Tudo pareceu desacelerar.

— Eu vou embora — ela disse, tentando manter a firmeza.

Ele apenas assentiu.

Como se já soubesse.

Como se já tivesse aceitado aquilo antes mesmo dela falar.

— Ótimo

— Você não parece surpreso — ela comentou, franzindo levemente a testa.

Dante deu alguns passos para dentro do quarto, fechando a porta atrás de si.

— Eu não esperava que você ficasse. Esse lugar não apropriado para você.

Aquilo apertou algo dentro dela.

Um incômodo que ela não soube explicar.

— Então por que me ajudou?

Ele ficou em silêncio por um instante.

Observando ela de verdade.

Não por cima.

Não de qualquer jeito.

Era como se ele estivesse tentando entender algo mais fundo.

— Porque você precisava.

A resposta foi simples.

Mas tinha peso.

Muito mais do que parecia.

— Só isso?

Dessa vez ele demorou um pouco mais.

E aquele silêncio respondeu por ele antes mesmo das palavras.

Helena desviou o olhar e disse:

— Eu não quero depender de ninguém.

— Então não dependa.

A resposta veio rápida.

Quase automática.

Ela olhou pra ele, confusa.

— Você está me mandando embora?

Dante deu mais um passo, diminuindo a distância entre eles.

— Eu estou dizendo que você pode escolher.

O coração dela acelerou.

Porque fazia tempo…

Muito tempo…

Que ninguém falava aquilo pra ela.

Escolher.

Parecia algo tão simples.

Mas pra ela não era.

— Eu não tenho escolha — ela sussurrou.

Ele parou bem na frente dela agora.

Perto demais.

— Tem sim.

A voz dele abaixou.

Mais próxima.

Mais íntima.

— Você só não está vendo ainda.

O ar ficou pesado.

Denso.

Do tipo que faz qualquer movimento parecer importante demais.

Helena levantou o olhar devagar.

E encontrou o dele.

E ali…

Tinha alguma coisa.

Algo perigoso.

Algo que ela sabia que devia evitar.

Mas que, mesmo assim…

Ela não conseguia ignorar.

— Você sempre fala assim? — ela perguntou, tentando quebrar o clima.

Um leve sorriso apareceu nos lábios dele.

— Só quando precisa.

— E agora precisa?

Ele não respondeu.

Mas também não desviou o olhar.

E aquilo foi resposta suficiente.

O coração dela disparou.

Sem aviso.

Sem controle.

Ela deu um pequeno passo pra trás.

Mas Dante avançou.

Instintivo.

Como se não quisesse deixar aquele momento escapar.

Como se não quisesse deixar ela escapar.

— Você devia descansar — ele disse, mas a voz não combinava com a proximidade.

— Eu já descansei o suficiente.

— Não parece.

— E você sempre acha que sabe tudo?

Silêncio.

E então ele se aproximou mais um pouco.

Agora não tinha mais espaço.

As costas dela encostaram levemente na parede.

A respiração falhou.

— Não tudo — ele disse. — Mas o suficiente.

O corpo dela estava em alerta.

Mas não era medo.

Era outra coisa.

Mais intensa.

Mais confusa.

Os olhos dele desceram até os lábios dela por um segundo.

E voltaram.

Isso foi o bastante.

— Isso não é uma boa ideia… — ela sussurrou.

Mas também não se afastou.

E ele percebeu.

Claro que percebeu.

— Não é — ele concordou.

A voz baixa.

Quase como um aviso.

Mas nenhum dos dois se mexeu.

O tempo parecia estranho.

Como se lá fora o mundo tivesse parado.

Como se só existissem eles ali.

Helena sentiu a respiração dele mais perto.

Mais quente.

E sem perceber…

Prendeu a própria respiração.

— Você devia ir embora — ele disse.

Mas não saiu do lugar.

— Então por que você não se afasta?

Mais um silêncio.

E então:

— Porque você também não está me afastando.

Aquilo acertou ela direto.

Sem defesa.

Ela engoliu seco.

Mas não negou.

Não conseguiu.

Os olhos deles ficaram presos.

Intensos e profundo.

Dante levantou a mão devagar até o rosto dela.

Parou por um segundo.

Como se desse a chance dela recuar.

Ela não recuou.

O toque foi suave.

Quente.

Mas firme o suficiente pra fazer tudo dentro dela desmoronar.

O coração disparou ainda mais.

— Helena… — ele disse baixo.

O nome dela, na voz dele…

Soou diferente.

Mais próximo.

Mais real.

Ela fechou os olhos por um instante.

Mas foi o suficiente.

Quando abriu de novo…

Ela já sabia que tinha perdido.

Porque agora…

Ela não queria se afastar.

E isso era perigoso.

Muito.

— Isso vai complicar tudo… — ela murmurou.

— Já está complicado.

Ele respondeu sem hesitar.

E então…

Sem pensar muito…

Ela se aproximou.

A distância sumiu.

Não foi rápido.

Nem impulsivo.

Foi lento.

Intenso.

Como se os dois soubessem que estavam passando de um limite.

E que não teria volta.

Mas mesmo assim…eles se beijaram

Nenhum deles parou.

Porque naquele momento…

Nada mais importava.

Nem o passado.

Nem Enzo.

Nem Isabella.

Só aquilo.

Só eles.

Quando se afastaram, o ar parecia diferente.

Mais pesado.

Mais difícil de respirar.

Helena ainda estava sem fôlego.

O coração descontrolado.

— Isso foi um erro… — ela disse, mas nem ela mesma acreditou muito.

Dante só ficou olhando pra ela.

Em silêncio.

E então:

— Talvez.

Mas ele não parecia arrependido.

Nem um pouco.

— Eu preciso ir.

Dessa vez ela realmente se afastou.

Pegou a bolsa.

Respirou fundo.

Mas antes de sair…

Parou.

Virou pra ele.

— Por que você está fazendo isso?

A pergunta saiu mais sincera do que ela queria.

Ele demorou um pouco.

Mas respondeu:

— Porque agora… isso também é meu problema.

O coração dela apertou.

Mas ela não perguntou mais nada.

Porque no fundo…

Ela entendeu.

Não era só sobre a situação.

Era sobre ela.

E o bebê.

Helena saiu do quarto.

Mas, pela primeira vez…

Ela não sentia que estava fugindo.

Só não sabia ainda pra onde estava indo.

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Do lado de fora do hospital…

Um carro preto estava parado.

Esperando.

E dentro dele…

Alguém observava tudo.

Sem piscar.

Sem perder um detalhe.

— Agora ficou interessante...

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