Os dias seguintes não me dão o luxo de pensar demais. E talvez isso seja uma bênção. Garrison não acredita em delicadeza, nem em paciência. Muito menos em autocomiseração. Ele acredita em repetição, em exaustão e em me lembrar, sempre que eu vacilo, exatamente por que eu estou ali. — De novo — ele diz, cruzando os braços enquanto me observa errar o movimento pela terceira vez seguida. — Eu já fiz de novo — resmungo, ajeitando a postura, sentindo o suor escorrer pela têmpora. — Fez errado três vezes. Não conta. Eu lanço um olhar atravessado. — Você é um amor de pessoa. — E você quase morreu — ele rebate, seco. — Então escolhe: prefere que eu seja simpático ou eficaz? Eu fecho a boca, porque ele sempre joga com essa carta. E sempre ganha. No começo, meu corpo não responde como eu quero. Os movimentos são duros, travados, como se cada músculo estivesse com medo de se comprometer. Mas, com o passar dos dias, algo muda. Não é só técnica. É intenção, raiva, memória. E, q
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