Eu nunca gostei de teatro. Não no sentido literal — eu até acho peças interessantes, dependendo do nível de drama e da quantidade de gente bonita envolvida —, mas esse tipo de atuação… fingir sentimentos, construir gestos, ensaiar olhares… isso sempre me pareceu cansativo demais para alguém que já passou a vida tentando ser aceita. E, ainda assim, lá estava eu. Sentada à mesa com Margareth, segurando uma taça de vinho como se fosse a coisa mais natural do mundo jantar com a mãe do meu… namorado falso. A ironia não se perde em mim. Dessa vez, no entanto, era diferente. A primeira vez que a conheci, meses atrás, eu ainda era… eu. Ou, pelo menos, a versão antiga de mim. Desajeitada dentro do próprio corpo, insegura em espaços que pareciam grandes demais, e completamente desconfortável tentando convencer alguém de que eu e Joseph éramos um casal. E, sinceramente? Nem eu teria acreditado. Mas agora, eu cruzo as pernas com naturalidade, sustento o olhar, sorrio no tempo certo. —
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