Eu estava vendida.A frase ecoava como um sino grave, constante, na minha cabeça, era impossível de ignorar. Eu encarava a tela do celular, como se cada repetição fosse uma confirmação inevitável.Vinte e cinco milhões. Alessandro Rossi.O nome, antes apenas um perfil vazio, agora tinha forma. Peso. Presença. O site ainda exibia a notificação final em letras vermelhas, estáticas, definitivas:“Vencedor confirmado. Pagamento enviado.”Não comemorei. Não chorei. Não senti nada imediato — apenas um vazio frio se espalhando devagar pelo peito, como se ocupasse espaços que antes já estavam ocos.Vendida. Como um objeto. Como minha mãe tinha sido.A diferença era que eu tinha escolhido. Ou pelo menos era isso que eu repetia para mim mesma. Porque, se não fosse agora, seria depois. Meu pai não hesitaria em fazer negócio quando a hora chegasse.As mensagens continuavam chegando, insistentes, quase desesperadas.“Não termina assim, manda mais fotos.”“Quanto pra ser o próximo?”“Pago 500k por
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