Mundo de ficçãoIniciar sessãoEu estava sentado na sala improvisada para ser meu escritório enquanto estivesse naquela cidade.
Meu punho latejava, os nós dos dedos inchados e vermelhos do soco que eu tinha dado na cara do filho da puta do segurança.
Ele estava no chão agora, cuspindo sangue no tapete persa que valia mais do que a vida dele inteira, gemendo como uma vadia.
— Desculpa, Don Alessandro... foi uma emergência... eu saí só por um minuto...
Emergência? Eu pagava esses merdas o suficiente para comprarem comida decente, não porcarias de rua que os deixassem cagando como cachorros.
Mas ali estava ele, dizendo que Isabella, minha Isabella, o prêmio que custou 25 milhões no leilão, tinha fugido da casa. Fazia duas horas agora, e eu sentia a raiva subindo como bile na garganta.
— Levanta, seu incompetente do caralho, — eu rosnei, chutando a costela dele com a ponta da bota. Ele se encolheu, mas obedeceu, os olhos baixos. — Você não viu ela passar? Vai me dizer que ela simplesmente sumiu? Como? Você estava cagando enquanto minha propriedade saia pela porta da frente?
Ele gaguejou algo sobre o banheiro, sobre como tudo parecia normal nas gravações. Eu ri, uma risada fria e sem humor.
Eu tinha gastado recursos demais para viajar até ali, para pesquisar cada detalhe daquela família de merda dela. Hackeei os registros financeiros, o pai dela, um porco chamado Carlos Ferreira, afundado em dívidas. Em recuperação fiscal na empresa de cosméticos que mal se sustentava.
A mãe? Morta por suicídio anos atrás. Overdose de remédios, tropeçando na beira da escada da casa deles, caindo como uma boneca.
Porco. Não sabia nem cuidar da própria mulher, deixou ela sozinha, com a dor até que ela escolhesse o fim.
Foi sorte da Isabella se leiloar antes que o pai percebesse o valor dela. Ele a teria vendido para o primeiro com dinheiro, casado para recuperar o investimento e salvar a empresa podre.
Mas agora? Ela era minha. Eu a comprei. Paguei o triplo do lance inicial daquele leilão só para garantir que ninguém mais tocasse nela.
Na mesma hora que a notícia chegou, eu mobilizei tudo. A cada rua, um carro com dois homens, até encontrem ela. Viva. Intacta. Ai se alguém tentasse encostar nela.
Duas horas. Duas porras de horas de tensão, meu coração batendo como um tambor de guerra, imaginando ela correndo pelas ruas, o cabelo loiro voando, os olhos assustados.
“E se algum filho da puta a pegasse? Eu quebraria a pessoa inteira e devagar.”
— Achamos ela, senhor. Perto da estação central, vagando sozinha. — O rádio crepitou. Eu respirei fundo pela primeira vez.
— Tragam ela pra mim. Agora.
Tirei todos da rua. Nada de rastros, nada de perguntas.
A proteção da casa dela? Removida. Não tinha mais nada de interessante vindo dali. O pai dela que se fodesse com suas dívidas e prostitutas; eu não precisava vigiar aquele buraco.
Ela era minha agora, e agora estava em minhas mãos e não sairia debaixo delas pra nada.
Depois de algum tempo, ela estava deitada no sofá da sala, dormindo na maior tranquilidade, como se nada tivesse acontecido.
Eu a observava do sofá oposto, com um copo de uísque na mão. Eu precisava beber para aguentar não consumar todo aquele contrato ali mesmo. Só assim não teríamos realmente volta.
Ela usava um moletom cinza folgado e calças largas xadrez, o cabelo espalhado na almofada.
Mais perfeita do que eu imaginava. Mesmo sem maquiagem, sem as poses provocantes, ela me deixava maluco mesmo assim.
Os lábios entreabertos, respirando devagar, o peito subindo e descendo sob o tecido fino.
Eu podia ver o contorno dos seios, firmes e intocados, e meu pau latejou, como nas noites que passei olhando aquelas fotos.
Imaginei por um segundo rasgando o moletom, expondo a pele branca, chupando os mamilos até eles endurecerem como pedras, até ela acordar gemendo meu nome em vez de fugir.
Mas a fúria era maior que o desejo. Como ela ousou?
Toda aquela papelada. Vinte e cinco milhões transferidos para a conta dela. E ela foge? Sem nada? Sem celular, sem bolsa, sem um centavo no bolso.
Algumas coisas me intrigavam, rodei uma faca afiada na mão. Me ajudava a pensar.
Meu dedo traçou o ar acima da bochecha dela, sem tocar.
Ah, ela ia desejar nunca ter entrado nesse jogo de quem dá mais. Nunca ter postado aquelas fotos, sorrindo inocente enquanto o mundo babava.
Eu planejava o que viria.
Na minha casa, eu a trancaria no quarto principal, amarraria os pulsos dela à cabeceira da cama. Ia despi-la devagar, peça por peça, enquanto ela acordava confusa, os olhos grandes se enchendo de medo.
Meus dedos deslizariam pela barriga lisa, descendo para a calcinha que eu imaginava molhada. Ia torturá-la com toques leves, lambendo o pescoço, mordendo o lóbulo da orelha até ela se contorcer.
— Você é minha agora. — Sussurrei saindo da cena imaginária.
Não faria agora. Eu estava esperando confirmarem meu jato particular estar pronto no aeroporto, dessa vez sem chances de outra fuga.
Bebi mais um gole, sentindo o álcool acalmar o fogo nas veias. Ela se mexeu no sono, um gemido baixo escapando dos lábios, e eu sorri sombrio. Perfeita. Minha.
Ela ia aprender que fugir de mim, seria o pior erro da vida dela. Ia desejar os dias de inocência do leilão, quando era só uma foto para pervertidos online.
Eu ia consumi-la inteira.
O pai dela? Eu podia destruí-lo com um telefonema, afundar a empresa de vez, deixá-lo na rua com as prostitutas que ele amava.
Mas pra quê? Ele já tinha me entregado de mão beijada o que eu queria: a filha dele, agora minha por direito.
Ela acordaria em breve, e aí o jogo começaria de verdade.
Fúria maior que curiosidade? Sim. Mas as duas se misturavam agora, como veneno doce. Eu a faria pagar. E gozar. E implorar.







