A maturidade não cura a taquicardia por vizinhos proibidos.
— Meu Deus, Heloísa. O que há com você?
—Nada. Estamos tendo uma conversa de adultos.
Ele me encara por tempo demais. Há algo novo ali. Não desejo explícito. Não culpa aberta. Mas a percepção clara de que eu não estou mais alguns passos atrás.
— Não é nada do que você está imaginando — ele diz, por fim.
Sorrio de leve. Não de deboche. De lucidez.
— Heitor… eu não estou imaginando nada. Fica tranquilo.
Ele abre a boca para responder, mas fecha de novo.
— Vou subir. Preciso organizar umas coisas.