MAYAO silêncio que se seguiu à pergunta de Jurandir foi o mais ensurdecedor da minha vida. O vento do Alentejo, que antes trazia o cheiro de azeitonas e paz, agora parecia carregar o fedor de pólvora e morte. Eu olhava para Arthur, com o cano da arma pressionado contra sua têmpora, e sentia meu mundo girar. O homem que cruzou o oceano por mim, que implodiu o próprio legado para me proteger, estava a um milímetro de deixar de existir por minha causa.Meus pensamentos eram um redemoinho. Eu precisava ganhar tempo. Precisava de uma brecha. Mas, acima de tudo, eu precisava entender como o homem que eu um dia amei se transformou naquela carcaça de ódio.Relembrei, por um segundo doloroso, de quando eu acreditava que Jurandir era meu porto seguro. Lembrei-me da paixão cega, de como eu achava que ele era um homem íntegro lutando por uma vida melhor. Como eu pude ser tão cega?— Quando estávamos juntos... eu nunca pensei que você era esse tipo de homem — minha voz saiu baixa, mas cortante, r
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