ARTHURO gelo estalava sobre o celular de Anna, um som minúsculo que, nos meus ouvidos, soava como a contagem regressiva para uma explosão. A música eletrônica da Vanguard martelava contra as paredes do camarote, mas para nós dois, o mundo tinha se tornado um vácuo de silêncio absoluto e ódio puro.Anna olhou para o aparelho encharcado, depois para a mancha de água que escorria pela mesa de vidro, e finalmente para mim. A máscara de sedução dela não apenas caiu; ela se estilhaçou, revelando o monstro que ela sempre guardou sob o casaco de cashmere e os sorrisos diplomáticos.— Você... — A voz dela saiu baixa, trêmula de fúria. — Você acha que é esperto, Arthur?Ela tentou se levantar, mas Vincent deu um passo à frente, bloqueando a saída com a sutil agressividade de um carrasco. Gisele, ao lado dela, manteve a postura relaxada, mas seus olhos estavam fixos em cada movimento das mãos de Anna.— Sente-se, Anna — comandei. Minha voz não era mais a do parceiro complacente. Era a voz de um
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