JURANDIR
O silêncio dentro daquele quarto de hotel barato em Londres era tão denso que eu podia ouvir o sangue latejando nas minhas têmporas. Eu queria quebrar alguma coisa. Queria sentir o estalo de um osso sob os meus nós dos dedos, mas tudo o que eu tinha era a imagem da maldita carreta bloqueando a passagem e o rastro de fumaça que o carro de Alessandro deixou para trás.
Eu a tive nas mãos. Por um centímetro, por um segundo de hesitação do trânsito londrino, eu a perdi.
— Eu não acredito qu