MAYAA claridade que entrava pelas imensas janelas da cobertura parecia me agredir. Eu estava sentada no chão do quarto, encostada na lateral da cama, observando o sol de segunda-feira iluminar um luxo que, de repente, perdeu todo o brilho. Cada metro quadrado deste lugar agora gritava uma verdade insuportável: este luxo foi erguido sobre o sangue do meu pai.O sobrenome Valente, que antes eu via como um escudo, agora era uma marca de Caim na minha testa.Arthur tentou me convencer a ficar na cama, tentou me abraçar antes de sair para o escritório, mas eu me esquivei. O toque dele, que ontem era meu porto seguro, hoje queimava como brasa. Não porque eu não o amasse — Deus, eu o amava tanto que chegava a faltar o ar —, mas porque amar o filho do homem que encomendou a morte do meu pai parecia a maior das traições.Eu não fui para a faculdade. Como eu poderia entrar em uma sala de aula de Pedagogia, onde discutimos ética, cuidado e o futuro das crianças, sendo que eu mesma sentia que ti
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