MAYA
O café cheirava a grãos torrados e perfume caro — mas para mim, era enxofre. O envelope pardo na mesa parecia uma lâmina: não era papel, era um bilhete de ida para o esquecimento. Um suborno para apagar a mulher que Arthur Valente amava.
Anna me estudava como predadora diante da presa. Cada batida do meu coração era um protesto: como ousa colocar preço na memória do meu pai e no meu destino?
— Então? — a voz de Anna veio suave, como o deslizar de uma lâmina na seda. — O tempo está correndo