A Lily estava sentada no tapete do quarto, com as pernas dobradas de lado, organizando pequenos blocos coloridos em fileiras quase perfeitas. Azul com azul. Amarelo com amarelo. Vermelho com vermelho.Tudo separado, alinhado, correto demais para uma criança de seis anos — como se até brincar precisasse seguir uma regra invisível.Eu me sentei no chão, a uma distância respeitosa, encostada na lateral da cama, observando em silêncio. Não queria invadir, interromper, nem parecer mais uma adulta chegando para reorganizar o mundo dela. Queria apenas estar ali, presente, sem exigir nada.Ela não me olhava.Estava concentrada demais em fazer tudo do jeito certo.O quarto continuava impecável. Nenhum brinquedo espalhado, nenhuma bagunça, nenhuma risada alta, nenhum sinal de infância solta. Era como se até a alegria tivesse aprendido a não fazer barulho.— Você gosta de montar assim? — perguntei baixo, com cuidado, como se minha voz pudesse quebrar algo frágil.Ela pensou por alguns segundos a
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