A febre de Lily começou a ceder perto do fim da tarde, mas Sebastian continuava ao lado da cama como se ainda houvesse perigo no quarto. O termômetro nunca tinha marcado nada alarmante, e ainda assim ele mantinha a mão presa à dela, tocando sua testa de tempos em tempos, como se só confiasse na própria vigilância. Parei à porta com uma xícara de café nas mãos. Lily estava melhor. Sebastian, não. A camisa amassada, a gravata largada na poltrona, o cabelo desalinhado pelos dedos inquietos. E nos olhos dele, normalmente tão duros, havia algo que eu ainda não tinha visto. Medo. Entrei devagar e deixei a xícara sobre a mesinha. Sebastian ergueu o olhar por um segundo, apenas o suficiente para me perceber, e voltou para Lily. — Ela está melhor — falei baixo, ajeitando a ponta do cobertor. — A febre baixou. — Ainda está quente. — Está um pouco quente. Não é a mesma coisa. Ele não respondeu. Levou novamente os dedos à testa de Lily, procurando uma confirmação que nenhum termômetro parec
Ler mais