A casa demorou a voltar ao silêncio depois que Clara saiu. Não foi um silêncio imediato, daqueles que chegam como alívio. Foi um silêncio que veio aos poucos, como se cada parede ainda estivesse absorvendo o que tinha sido dito, como se o ar ainda carregasse os ecos da tensão. Laura foi a primeira a quebrar. Ou melhor, a ceder. Ela chorou por mais alguns minutos, ainda abalada, agarrada ao pai, enquanto eu me mantinha por perto, sem invadir, mas sem me afastar. Quando o choro diminuiu, ela não quis sair da sala. Pediu para ficar ali mesmo, deitada no sofá. — Você fica aqui? — perguntou, olhando para mim. — Fico. Ela assentiu, fechando os olhos aos poucos, ainda segurando minha mão. Augusto trouxe uma manta e a cobriu com cuidado, ajeitando o cabelo dela com um gesto que dizia mais do que qualquer palavra. Ficamos ali, os dois, em silêncio, observando enquanto ela finalmente adormecia. O corpo pequeno relaxado, a respiração regular. Segura. Por enquanto. Quando tivemos cert
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