A casa demorou a voltar ao silêncio depois que Clara saiu.
Não foi um silêncio imediato, daqueles que chegam como alívio. Foi um silêncio que veio aos poucos, como se cada parede ainda estivesse absorvendo o que tinha sido dito, como se o ar ainda carregasse os ecos da tensão.
Laura foi a primeira a quebrar.
Ou melhor, a ceder.
Ela chorou por mais alguns minutos, ainda abalada, agarrada ao pai, enquanto eu me mantinha por perto, sem invadir, mas sem me afastar. Quando o choro diminuiu, ela