A mudança não foi imediata. Ela veio em pequenos sinais, nos detalhes. Nas pausas que deixaram de existir, nos olhares que já não carregavam tanto peso, nos gestos que voltaram a ser naturais, como se o corpo de Laura estivesse, aos poucos, reaprendendo a confiar no espaço ao redor. Naquela tarde, quando ela voltou da escola, não havia o mesmo silêncio dos dias anteriores. Também não havia euforia. Era algo no meio. Mais leve. Mais… estável. Ela entrou em casa tirando os sapatos como sempre fazia, deixou a mochila no lugar e caminhou até a sala. Parou por um segundo, olhando para mim e para Augusto, como se estivesse medindo algo invisível entre nós. Mas, dessa vez, não hesitou. Veio direto. — Oi — disse. — Oi, meu amor — respondi, sorrindo. Ela se aproximou e me abraçou. Sem pressa. Sem aquele cuidado excessivo dos últimos dias. Apenas… abraçou. E ficou ali por alguns segundos a mais do que o normal. Eu retribuí, sentindo o corpo dela mais relaxado contra o meu. — C
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