O vestido cerimonial me esperava pendurado na entrada da tenda: tecido cru, fiapos de pele de lobo do Norte, costura de matriarca que carregava o peso de séculos. Tinha cheiro de banho de ervas e silêncio. Quando o vesti, a marca queimou violentamente nas minhas costas. A Lua falou dentro do meu osso: "Vai. Mas vai com tudo. Mesmo que tentem arrancar a alma de ti". Duas anciãs trançavam meu cabelo, seus dedos ágeis movendo-se como aranhas enquanto os cochichos corriam pela lona da tenda: — "Linda... perigosa demais..." — "Uma marca acesa desse jeito é presságio de guerra." — "Quem nasce ponte, carrega o alvo no peito." Saí da tenda com a cabeça erguida, a pele acesa pelo poder que pulsava em mim. Elora estava lá, fingindo não ver, mas seu faro estava travado na minha direção. Então, Lyra aproximou-se. Jovem, bonita, a flor que o conselho velho usa para distrair o inimigo. O sorriso dela era uma máscara perfeita, mas seus olhos estavam parados, sem vida. Na mão, ela carregava um
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