O relógio marcava quase meia-noite, mas Lorenzo Moretti permanecia sozinho no escritório da cobertura da família. A cidade abaixo dele brilhava como um tapete de luzes, cada lâmpada refletindo o poder que ele conquistara com esforço, disciplina e ambição. Era tudo dele ou ao menos deveria ser. Cada centímetro daquele império lembrava-lhe da responsabilidade que carregava desde os quinze anos, cada decisão moldada pela família, cada passo calculado para nunca falhar.E, no entanto, por um momento, o vazio foi mais profundo do que qualquer sucesso poderia preencher.Aurora. Seu nome ecoava em sua mente como uma melodia proibida, doce demais para ser esquecida, mas dolorosa demais para ser admitida. Ele podia reviver cada detalhe: o riso leve, a forma como ela inclinava a cabeça quando estava concentrada, a delicadeza das mãos que um dia tocaram as suas sem medo, confiantes, entregues.Ele fechou os olhos e respirou fundo, tentando afogar o sentimento. Mas não conseguia.Aurora não estav
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