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O HOMEM QUE ELA PROMETEU ESQUECER

O elevador subia devagar demais.

Aurora segurava a pasta contra o peito enquanto o número dos andares piscava acima da porta espelhada. Helena havia ficado na escola. Tudo sob controle. Tudo organizado.

Ela repetia isso mentalmente como um mantra.

Quando as portas se abriram no último andar, o logotipo dourado do Grupo Moretti brilhava na parede principal.

O sobrenome dele.

Ainda doía.

Aurora respirou fundo e caminhou pelo corredor de mármore. Saltos firmes. Coluna ereta. Nenhuma hesitação visível.

Por dentro?

Tempestade.

A recepcionista levantou-se imediatamente.

— A senhora tem horário com o diretor financeiro. Reunião sobre a parceria logística.

Aurora assentiu.

Profissional. Objetiva. Blindada.

Ela não estava ali por ele.

Estava ali porque precisava daquele contrato.

Porque agora cada decisão envolvia uma criança de três anos que adorava desenhar estrelas e perguntava por que não tinha pai como os colegas.

O destino, cruel como sempre, não precisou de convite.

A porta da sala de reuniões abriu antes que ela pudesse bater.

E ele saiu.

Lorenzo Moretti.

Mais alto. Mais imponente. Mais frio.

O terno sob medida parecia feito para sustentar o peso do mundo. O olhar, antes jovem e apaixonado, agora carregava cálculo.

Mas quando ele a viu…

O tempo quebrou.

Os passos dele pararam.

O ar ficou pesado.

Aurora sentiu o coração bater tão forte que temeu que ecoasse pelo corredor inteiro.

Três anos.

Três anos tentando apagar aquele rosto da memória.

E ali estava ele.

Real.

Intenso.

Perigoso.

— Aurora.

O nome dela saiu baixo.

Rouco.

Ela sustentou o olhar.

— Senhor Moretti.

Formal.

Distante.

O leve estremecer no maxilar dele foi quase imperceptível.

— Não sabia que era você quem estava assumindo essa negociação.

— Agora sabe.

Silêncio.

O tipo de silêncio que carrega tudo o que não foi dito.

Ele deu um passo à frente.

Instintivamente, ela deu meio passo atrás.

Pequeno.

Mas ele percebeu.

— Você desapareceu — ele disse.

Não foi acusação.

Foi constatação.

Aurora manteve a postura.

— Pessoas vão embora todos os dias.

Os olhos dele escureceram.

— Sem uma explicação?

Você teve sua explicação, ela pensou.

Ambição.

Poder.

Escolha.

— Achei que tinha sido claro naquela noite — ela respondeu, firme. — Não existia mais “nós”.

A frase atingiu.

Ela viu.

Lorenzo passou a mão pelos cabelos, gesto que sempre fazia quando estava irritado.

— Não era para terminar daquele jeito.

— Mas terminou.

O elevador ao fundo se abriu novamente.

Passos elegantes ecoaram pelo corredor.

Perfume marcante.

Confiança exagerada.

Aurora não precisou olhar para saber.

Valentina.

Ela surgiu como se estivesse entrando em um palco.

Impecável. Linda. Perfeita.

E com um sorriso que não alcançava os olhos.

— Lorenzo, querido, a reunião com os investidores foi antecipada—

Ela parou ao ver Aurora.

O olhar avaliador desceu lentamente, dos cabelos aos sapatos.

Reconhecimento.

E algo mais.

Satisfação?

— Ora… que surpresa.

Aurora sustentou o olhar. Sem baixar a cabeça. Nunca mais.

— Senhora Valentina.

O sorriso da outra mulher cresceu minimamente.

— Não sabia que trabalhava com… logística.

Subtexto venenoso.

Lorenzo interveio antes que Aurora respondesse.

— Ela está negociando uma parceria estratégica.

O tom dele foi firme.

Protetor?

Valentina percebeu.

E não gostou.

— Interessante — ela disse suavemente. — O mundo realmente dá voltas.

Aurora fechou a pasta com calma.

— Ele sempre deu.

Os olhos das duas se prenderam.

Uma guerra silenciosa.

Valentina se aproximou de Lorenzo, tocando o braço dele como quem reivindica território.

— Não vamos nos atrasar, amor.

Amor.

Aurora sentiu o golpe.

Mas não deixou transparecer.

Lorenzo não correspondeu ao gesto.

E Aurora percebeu isso.

Pequenos detalhes importam.

— A reunião será na sala principal — ele disse, olhando apenas para Aurora.

Não para Valentina.

Só para ela.

Valentina apertou levemente o braço dele.

Aviso silencioso.

Aurora virou-se primeiro.

Entrou na sala.

Sentou-se.

Postura impecável.

Mas por dentro, algo estava errado.

Muito errado.

Porque quando Lorenzo se sentou à cabeceira da mesa, e os olhares deles se cruzaram novamente…

Ela teve uma certeza perigosa.

Ele ainda sentia.

E isso complicava tudo.

Muito mais do que se ele estivesse completamente indiferente.

Do outro lado da cidade, na pequena escola infantil, Helena terminava um desenho.

Um homem alto.

Uma mulher sorrindo.

E uma menina no meio.

A professora se aproximou.

— Quem é esse, Helena?

Ela apontou para o homem desenhado.

— É o meu papai.

A professora sorriu.

— E como ele se chama?

Helena inclinou a cabeça.

Pensativa.

— Mamãe disse que ele é muito importante.

Muito importante.

E o destino sorriu.

Porque, naquele mesmo instante, Lorenzo Moretti assinava um contrato sem imaginar que o nome que carregava seria pronunciado em breve por uma criança com os mesmos olhos que os dele.

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