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SOBREVIVÊNCIAS E MEMÓRIAS

O amanhecer tingia o céu de tons laranja e rosa, espalhando uma luz suave pelo apartamento modesto de Aurora. O som distante do trânsito da cidade lembrava-a de que a vida não esperava por ninguém, e ela precisava enfrentar cada dia com coragem renovada. Helena ainda dormia, enrolada em cobertores finos, seu rosto angelical escondido entre cachos castanhos que refletiam a luz da manhã. Cada respiração da filha era um lembrete silencioso de que o mundo precisava ser enfrentado com força e determinação.

Aurora suspirou, ajeitando a cozinha pequena para preparar o café da manhã. Cada utensílio tinha seu lugar, cada detalhe era pensado para otimizar o espaço limitado. As contas acumulavam-se sobre a mesa, somando valores que quase a faziam desanimar. Mas ela não podia ceder à fraqueza; Helena precisava dela, e a mãe, doente e frágil, dependia de seu cuidado constante.

A saúde da mãe se deteriorava lentamente. Dias bons eram raros, e cada mal-estar exigia atenção imediata. Aurora aprendeu a ajustar suas rotinas, equilibrando o cuidado da filha e da mãe com trabalhos temporários que surgiam esporadicamente. Cada oportunidade era agarrada com a determinação de quem sabe que não pode falhar.

O trabalho que conseguia não pagava luxos, mas garantia comida na mesa e remédios para a mãe. A vida não oferecia descanso; cada minuto era gasto em tarefas, em planejamento, em resistência. Mas havia amor. Havia a pequena Helena, que sorria para ela mesmo nos dias mais difíceis, que segurava sua mão com confiança e que, de alguma forma, lembrava Aurora de que tudo valia a pena.

Aurora começou a preparar o café da manhã: ovos, pão, suco. Tudo simples, mas suficiente para começar o dia. Helena finalmente despertou, seus olhos grandes e curiosos brilhando com uma mistura de sono e curiosidade. Ela correu até a cozinha, puxando a mão da mãe, pedindo atenção, carinho, companhia. Aurora sorriu, mesmo cansada, e pegou a filha no colo, sentindo o calor do pequeno corpo contra o seu. Cada abraço era um reforço silencioso de que o amor que ela podia oferecer compensava todas as dificuldades do mundo.

Enquanto isso, em outro canto da cidade, Lorenzo acordava em sua cobertura luxuosa. O quarto amplo refletia a perfeição que ele cultivava: móveis caros, iluminação impecável, tudo disposto com a precisão de quem não aceitava falhas. Ele vestiu-se rapidamente, ajustando o terno sob medida, verificando os relatórios do dia com o mesmo rigor de sempre. Nada podia ser deixado ao acaso. Nada podia interferir na imagem de CEO imbatível.

Mas, mesmo no meio de todo o luxo, havia pequenos sinais de desconforto. Um pensamento que surgia inesperadamente, um eco do passado que ele não conseguia sufocar. Aurora. Ela ainda existia em sua mente, uma lembrança silenciosa que ele tentava ignorar. Ele não sabia da filha, não sabia da vida que ela construíra sem ele, mas sentia, de alguma forma, que algo havia sido perdido.

Lorenzo encontrou-se em reuniões intermináveis, decisões estratégicas, planos de expansão. Valentina, impecável e calculista, estava ao lado dele, sempre pronta para sustentar a imagem de casal perfeito. Para o mundo, tudo era perfeito: um CEO de sucesso, uma noiva bonita, uma imagem impecável de poder e estabilidade. Mas mesmo entre sorrisos e flashes, Lorenzo carregava o peso silencioso de algo que não conseguia nomear, um vazio que nenhum contrato, nenhum acordo, nenhum sucesso poderia preencher.

Aurora, enquanto isso, começava a organizar a rotina do dia. Helena precisava ir à escola, precisavam de mantimentos, remédios para a mãe. Cada passo era planejado, cada detalhe meticulosamente pensado. Ela se perguntava como conseguiria pagar tudo, como sobreviveria mais um mês sem soluções milagrosas. Mas desistir nunca foi uma opção. A vida continuava, e ela precisava estar à altura dela.

O apartamento simples cheirava a café recém-passado e pão quente. Aurora preparou a mochila de Helena, conferindo se cada lanche estava dentro do pote, se o caderno e lápis estavam no lugar. Helena, curiosa e cheia de energia, ajudava como podia, correndo de um lado para outro, enchendo o ambiente de vida, alegria e barulho que contrastava com o silêncio pesado do apartamento.

Aurora, mesmo cansada, sentiu um calor no peito ao ver a filha tão viva. Cada riso, cada gesto, cada descoberta era um lembrete de que ela estava fazendo algo certo. Mas o mundo fora daquele apartamento continuava impiedoso. Ela precisava encontrar maneiras de ganhar dinheiro suficiente, de sustentar a família, de manter a dignidade e o amor que agora eram a única base segura para Helena.

Enquanto caminhava pela cozinha, ajustando panelas e utensílios, Aurora pensava no futuro. Como conseguiria oportunidades melhores? Como garantir que Helena tivesse tudo o que precisava sem depender da sorte? Cada pensamento trazia preocupação, mas também uma determinação silenciosa que ninguém podia abalar. Ela era mãe, cuidadora, protetora. E era capaz de enfrentar qualquer obstáculo para manter essa promessa viva.

Lorenzo, ao mesmo tempo, permanecia no seu mundo de luxo e controle. Ele assinava contratos, participava de eventos, ouvia elogios sobre sua liderança. Mas, de alguma forma, cada elogio, cada reconhecimento, cada aprovação reforçava apenas o vazio que ele sentia. Ele tinha tudo, menos aquilo que realmente importava: Aurora, Helena, o amor que havia sido rejeitado e esquecido.

Os dias de Aurora se misturavam entre trabalho, cuidados com a mãe e atenção constante a Helena. Ela aprendeu a organizar cada minuto, a priorizar necessidades, a encontrar soluções mesmo quando parecia não haver nenhuma. Cada conquista, cada refeição preparada, cada risada compartilhada com Helena era uma vitória silenciosa contra um mundo que não facilitava nada.

Aurora sabia das notícias sobre Lorenzo. Fotos em eventos, entrevistas, anúncios da imprensa sobre o noivado com Valentina. Ele seguia como se nada tivesse acontecido, como se os três anos tivessem apagado qualquer lembrança dela. E, de certa forma, isso a machucava, lembrando-a do quanto ele era capaz de seguir em frente com facilidade, enquanto ela carregava o peso de tudo sozinha.

Mas a cada desafio, Aurora se fortalecia. Cada dificuldade financeira, cada preocupação com a mãe, cada obstáculo inesperado era uma prova de resistência. Ela não tinha luxo, não tinha poder, mas tinha amor. E esse amor era suficiente para manter Helena segura, feliz e protegida.

E Lorenzo, mesmo alheio, começava a perceber pequenas fissuras em seu mundo perfeito. Pequenas lembranças de Aurora surgiam em momentos inesperados: uma palavra dita por alguém que a conhecia, uma fotografia antiga, uma memória de riso ou gesto que ele não conseguia esquecer. Ele se lembrava do passado, de tudo que perdera, mas ainda não sabia da filha que havia deixado para trás.

Aurora, enquanto organizava o jantar e verificava os medicamentos da mãe, suspirou. A vida não era fácil, mas era sua. Cada dificuldade era enfrentada com coragem, cada momento de tristeza era acompanhado de esperança silenciosa. Ela sabia que, de algum modo, precisaria encontrar soluções para garantir um futuro melhor, mas isso viria com paciência, com esforço, com amor.

E, no silêncio da noite, quando Helena finalmente dormia, Aurora sentava-se perto da janela, olhando para a cidade distante, imaginando como Lorenzo estava. Ele seguia com Valentina, construindo uma vida de luxo e poder, aparentemente sem lembrar-se dela, aparentemente sem perceber a ausência que havia criado. Mas Aurora sabia que a verdade era diferente: o tempo não apagava sentimentos tão profundos, mesmo que ele fingisse que não existiam.

Os três anos haviam passado. Aurora havia se tornado uma mulher mais forte, mais determinada, mais resiliente. Helena havia crescido cercada de amor, mesmo que faltasse a presença do pai. E Lorenzo continuava em seu mundo perfeito, prestigiado e admirado, mas incompleto.

O capítulo terminaria com Aurora preparando Helena para dormir, sentindo o peso do mundo sobre os ombros, mas também a força silenciosa que o amor materno oferecia. E, ao mesmo tempo, Lorenzo olhando pela janela de sua cobertura, consciente de que algo havia mudado, mesmo que ainda não soubesse o quê. O destino estava lentamente costurando os fios invisíveis que um dia os uniriam novamente.

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