O mundo não faz barulho quando desmorona.Ele apenas fica mudo.E foi assim que eu me senti quando percebi que Helena não estava no quarto.O ursinho estava no chão.A janela, entreaberta.E o silêncio… aquele silêncio cruel que nenhuma mãe deveria conhecer.— Helena? — minha voz saiu baixa, trêmula, quase um pedido.Corri pelo apartamento como se o ar estivesse acabando. Banheiro. Cozinha. Área de serviço.Nada.Meu coração começou a bater em um ritmo descontrolado, como se quisesse fugir do meu peito antes de mim.— Não… não… não…O celular vibrou na minha mão.Número desconhecido.Eu atendi antes mesmo do segundo toque terminar.— Alô?Silêncio.Depois, uma respiração lenta. Calculada.E então a voz.Doce. Fria. Mortal.— Está procurando alguém, Aurora?O chão desapareceu sob meus pés.— Valentina.Uma risada baixa ecoou do outro lado da linha.— Finalmente você aprendeu a reconhecer quem realmente manda nessa história.Minha visão ficou turva.— Onde está a minha filha?— Segura.
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