Pietro CavalliniO ar dentro do Hospital Sírio-Libanês tornou-se sólido. Cada vez que eu tentava inspirar, sentia o oxigênio arranhando minha garganta, como se estivesse engolindo lâminas de ferro. As paredes brancas, imaculadas e silenciosas, pareciam estar se fechando, esmagando o que restava do meu peito.— Eu preciso sair daqui — minha voz saiu como um rosnado baixo, quase animal.Levantei-me da cadeira de plástico de um salto. Minha visão estava turva, as bordas do mundo escurecendo. Lucas, que estava encostado na parede oposta, deu um passo à frente, a preocupação gravada em cada linha do seu rosto.— Pietro? Onde você vai, irmão? — Ele segurou meu braço. O toque dele era firme, mas eu me senti como um fio de alta tensão prestes a arrebentar.— Tira as mãos de mim, Lucas — respondi, não com raiva dele, mas com a fúria de quem não suporta o próprio peso. — Eu preciso minimizar essa dor... essa porra de dor no meu peito está me matando. Eu não consigo respirar aqui dentro.Saí em
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