Pietro CavalliniO som não era de música. Era de uma britadeira perfurando minha têmpora direita e saindo pela esquerda. Abri os olhos e a luz branca de São Paulo, filtrada pelos restos das minhas cortinas, cortou minha retina como uma lâmina de barbear.Eu estava no chão. O cheiro de uísque barato e caro misturado ao pó das maquetes destruídas era o meu novo perfume. Tentei me mexer, e cada vértebra protestou, lembrando-me do colapso da noite anterior. Tateei o tapete persa até encontrar o celular, que vibrava como um animal agonizante entre os cacos de cristal de Murano.Chamada: Lucas (Dubai)Respirei fundo, sentindo o gosto de bile e álcool na boca, e atendi.— Fala... — Minha voz nem parecia minha. Era um rascunho de som, rouco, sujo.— Pietro? Meu Deus, cara, você demorou a atender. Como você está?— Destruído, Lucas. — Apoiei as costas na lateral da cama, olhando para a porta aberta do quarto que dava visão para a sala. Daqui, eu conseguia ver o rastro de destruição que deixei
Leer más